FEBEC - Voluntários contra o câncer

Hospital Amaral Carvalho faz transplante de medula óssea em garoto do Amapá

   No último Dia dos Pais, enquanto muitas famílias festejavam com abraços, homenagens e presentes, o funcionário público Claudio de Brito Silva, 40 anos, dobrava seus joelhos lá no Amapá para orar pela vida do filho adolescente, que está em Jaú, internado no Hospital Amaral Carvalho (HAC), referência no Brasil em tratamento de câncer e transplante de medula óssea.
   Cleyton Daniel, seu primogênito, foi diagnosticado com um tipo de leucemia em setembro de 2014 e desde então passou por pesadas sessões de quimioterapia e, recentemente, por um transplante.
   O doador da medula foi o irmão mais novo, Claudio Júnior, 13 anos.  “Fiquei muito feliz em poder doar minha medula ao meu irmão. Estamos torcendo pra medula pegar e ele voltar logo para casa”, disse o caçula, que após o procedimento realizado no HAC retornou com o pai ao Amapá.


Cleyton com seu pai e o irmão, Daniel Júnior, o doador da medula

   Eles vivem na capital Macapá. Silva é servidor público administrativo há quase 20 anos e sua esposa, Danielle, 37 anos, mãe dos meninos, é professora concursada.
   A família levava uma vida tranquila, estável, até descobrir a doença de Cleyton. “Lá no norte não há recursos na área de saúde, nem para o diagnóstico. Tivemos que viajar a São Paulo para iniciar o tratamento. Nossa vida, de um dia para o outro, virou no avesso. Minha esposa largou tudo, até o emprego, para estar ao lado do nosso filho”, contou o pai.
   Estar perto de Cleyton, especialmente no Dia dos Pais, era o maior desejo de Silva, mas os compromissos do dia a dia não o permitiram ficar. “Não pudemos continuar todos juntos em Jaú. Danielle permaneceu com ele no hospital, e nós tivemos que voltar, pois eu retomaria o trabalho e o Júnior, as aulas.  Foi muito difícil nos separarmos numa hora dessa”, lamentou.
   A doença do garoto não mudou apenas a rotina dos Silva, mas também a maneira de enxergarem a vida. “Acho que eu era muito duro com meus filhos e só agora percebo isso”, disse arrependido, com os olhos marejados.

Pipa
   “Hoje, nossa família aprendeu a dar valor a pequenas coisas. Sabemos que, por mais difícil que seja a vida, é 100% melhor do que estar passando por uma situação dessa. Ainda assim, só tenho a agradecer a Deus por meu filho ter conseguido realizar o transplante. Vi aqui muitos pais perderam seus filhos antes de chegar a essa fase do tratamento. Com muita fé, creio que ele vá se restabelecer e muito em breve estará empinando pipa na rua. É o que mais gosta de fazer. Ele é mesmo um craque nisso”, elogiou o pai.
   Em Macapá, é tradição popular soltar pipas. Adultos e crianças praticam a atividade nas horas de lazer. E o que mais a família e os amigos de Cleyton esperam é vê-lo colorindo o céu de Macapá novamente!


Clayton montando sua própria pipa

Juliana Parra
Hospital Amaral Carvalho

24/08/2016